pequena nuance linguística

O Anton, de cujo poliglotismo já escrevi noutras ocasiões, começa a distinguir perfeitamente os diversos idiomas que o rodeiam. A mãe (com quem comunica exclusivamente em português) foi buscá-lo à escola catalã e confrontou-o com uma repreensão que a Educadora lhe dissera a ela ter feito ao Anton. E para tal repetiu as palavras da Educadora em português. O Anton respondeu-lhe: Não, não! Não foi isso que ela disse. Foi… E repetiu em catalão, as palavras exactas da Educadora.

desculpa lá, vasco


Quando vamos rumo ao Sul, costumamos utilizar a Ponte 25 de Abril.
Desta vez, para evitar prisões de trânsito, escolhemos a alternativa.
Ao avistarmos a ponte, chamei a atenção do Pedro, perguntando-lhe se a reconhecia.
Sim, é a Ponte Aquário!, respondeu-me ele.

apóstrofo


Mandaram-me por mail. Desconheço a veracidade ou a fonte.

uma questão de terminologia


Mãe: Andas a estudar o corpo humano na escola?

Inês: Sim. Já dei o aparelho sangrento...


Inês, 7 anos

o quero ser quando for grande

O filho do Zé Nuno de 6 anos disse ao pai:
Quando for grande quero ser caçador, pedreiro ou... como é que se chamam aqueles homens que apanham os cães?!

O primo do Zé Nuno, quando era miúdo queria ser vendedor de melancias.

janelas da alma ou sobre o rigor da literatura infantil


Lia-lhe um livro:
"Olhem para a janela do Tigre. Está aberta, disse a Coruja".
Comentário dele:
Isto está muito bem escrito, está... janela do tigre... os tigres por acaso têm janelas?!
*risos*
Os tigres têm olhos, porque se não tivessem tinham de ter pessoas lá dentro para ver.

Pedro, quase 5 anos

don't worry, be...

O Gabriel tem aulas de inglês no jardim-de-infância.
A brincar com os pais fez uma pausa prolongada como quem procura as palavras certas e disse:
- Eu estou happy. Eu não estou sad.

O pai, a indagar sobre o conhecimento efectivo das palavras perguntou-lhe:
- O que é sad, Gabriel?
- É chorar!

carrinho simpático

O Gabriel de quase 3 anos vai ter um mano a breve-prazo.
Brincava com um carrinho a pilhas que tem uns grandes olhos e anda sozinho e disse:
O mano André não vai ter medo deste carro... É só um carrinho simpático!

a trick of the lyrics


O Pedro gosta de ouvir (até à nossa náusea) a música Robbery, Assault & Battery (Genesis). Perguntou-nos sobre o que trata e explicámos-lhe que tem falas por vezes do polícia, por vezes do ladrão. Sempre que a ouvimos (nos nossos percursos habituais de carro) vai perguntando, agora é o polícia ou o ladrão? e agora? e agora? Como nem sempre a letra é perceptível, disse-lhe:
Vou tirar a letra da net para te poder explicar tudo bem.
Ao que ele respondeu:
Não tires mãe! Eu gosto da música assim com a letra…

outra banda


As pessoas que moram do outro lado da banda têm todas braçadeiras porque daquele lado (o rio Tejo) é mais fundo.


Pedro, quase 5 anos

mudança

A avó trocou a disposição de todos os móveis da sala.
Comentário do Pedro: Então avó, tens isto tudo virado de pernas para o ar!

mãe previsível

Avó: Amanhã lembra a mãe de mandar brinquedos teus, para poderes brincar cá em casa da avó.
Ele: Está bem! Mas eu já sei o que é que a mãe me vai dizer...
Avó: O quê?
Ele: Vai dizer: Está bem meu amor!

Pedro, quase 5 anos

"físico-cómica"


O Afonso, de 3 anos, brincava com os primos a misturar champôs e detergentes. O pai perguntou-lhe o que estavam a fazer.

“Estamos a fazer experiências cómicas!”

...


Ele: Mãe, ontem a Viviana chegou tarde porque ficou na prisão do trânsito…
Eu: Por vezes acontece…
*pausa*
Ele: Mãe, o que é a prisão do trânsito?!

Pedro, quase 5 anos

celestial explicação

Ele e o pai andaram a conversar sobre o céu. Não assisti à conversa, mas no dia seguinte ele disse-me elucidado:

O céu não existe... porque quando achamos que já lá estamos ainda não chegámos e quando achamos que ainda não estamos lá, já chegámos.

Pedro, quase 5 anos

quarto-minguante


Estava a Lua no céu em quarto-crescente e eu explicava-lhe como se distinguia o crescente do minguante e as fases que se seguiam umas às outras. No final ele acrescentou:

Depois a Lua vai ficando cada vez mais pequenina e depois desaparece, sabes porquê? Porque a luz do Sol vai ficando cada vez mais forte e a Lua tem de se esconder!


Pedro, quase 5 anos

pfffff

Esta manhã ao pequeno-almoço:

Dei uma bufa que parecia uma bóia a esvaziar!

*Risos*

Sim, fez pffff...

Pedro, quase 5 anos

mergulhos


Ao telefone com a avó.


Avó: Vais à piscina?

Ele: Sim, vou.

Avó: Dá mergulhos por mim.

Ele: Tá bem. Depois eu levo-te os mergulhos...


Pedro, 4 anos

marisco

Foi aí em 1979 ou 1980... Nessa altura, comer marisco era assim um evento raro e só para alguns. Era um dia especial, o aniversário da minha mãe, parece-me. Os meus pais levaram-nos a comer marisco pela primeira vez. Aperaltámo-nos e fomos para o restaurante. Os meus pais escolheram e lá veio o marisco. Sapateira, parece-me. Comemos e eles quiseram saber se para nós era bom. Sim, sim! Sabe a peixe frito!, respondi.

contar ovelhas já era...

Mãe, aprender a dormir é simples. Basta fechar os olhos e esquecer tudo… tudo o que se fez… não é?

Pedro, quase 5 anos

ler

O André começou agora as aulas no 1º ano do ensino básico. No fim do primeiro dia a mãe perguntou-lhe como tinha sido e ele respondeu, com ar de expectativa defraudada: Só fiz desenhos! Ainda não sei ler…

André, 6 anos

presidente


Estávamos a conversar ao telefone e ele explicava-me como tinha sido o seu dia de escola, sempre a fazer voz grossa. Por fim perguntou-me, dando ainda maior ênfase à sua voz autoritária, Sabes quem sou eu? Quem és?, perguntei eu. Sou o Presidente da República!, disse ele. Ah, sim?! De que República?, quis eu saber. Da República das Finanças!

(Nem Ferreira Leite ou Bagão Félix, aspiraram a tanto…)

Pedro, 4 (quase 5) anos

voo


Junto a um grande cipreste, olhou para o alto e disse:

Eu podia ser um pássaro. Assim, podia esconder-me aqui... (apontando para o topo da árvore) e depois via as pessoas e as coisas lá de cima.


Pedro, 4 anos

sono fingido

De manhã, ao sair de casa, fui dar-lhe um beijo à cama. Acordou meio-aborrecido e disse-me:
Mãe, porque é que me acordaste? Agora tenho de dormir a fingir...

eternidade

Se as pessoas celebram anos e os números são infinitos, porque é que morremos?

anónima, 5 anos

botão vermelho


O André de 4 anos e a mãe regressavam a casa ao fim do dia e desceram na habitual estação do Metro. Dirigiram-se à escada-rolante que os conduzia para a superfície e a mãe largou-lhe a mão por ter de carregar sacos de compras. Perante a liberdade momentânea, o André lembrou-se de experimentar aquele botão vermelho que, todos os dias, despertava a sua atenção. A escada-rolante ia apinhada de gente que regressava às suas casas depois de mais um dia de trabalho. O André ajoelhou-se e carregou, sem dar tempo à mãe de reagir. A escada-rolante parou abruptamente e a multidão que subia abanou e amontoou-se ainda mais, olhando zangada e surpreendida para o pequeno rapaz feliz por finalmente ter visto o botão vermelho em acção… a mãe do André desejou que surgisse do nada um buraco onde se esconder!

varicela com estilo


observação

Mãe, a pessoa do mundo com quem eu já passei mais tempo és tu...