auto-retrato

Pedro, quase 6 anos

a mana


Bea (quase 3 anos) e Madalena (quase 1 mês)

habilidades parentais

Educadora do Gabriel: A tua máscara de bruxa está muito gira. Foi a tua mãe que te fez?
Gabriel: Sim, fui eu que fiz com a minha mamã.
Educadora: A tua mãe tem muito jeito para estas coisas.
Gabriel: Pois... o meu papá não sabe fazer.
Educadora: O teu papá não sabe fazer estas coisas, mas com certeza que sabe fazer outras diferentes.
Gabriel: Pois sabe. Sabe arrumar a cozinha.

Gabriel, quase 4 anos

os bebés

Chegou-me via mail este texto (em baixo), no qual a Educadora Mila reproduz uma conversa que teve lugar este mês de Outubro na sua sala de aulas (sala dos 5 anos).

A Marta chega à sala e diz que vai sair mais cedo porque tem de ir com a mãe ao médico. Vai ver a ecografia da mana Sara que vai nascer em Fevereiro.

Em conversa de grande grupo no tapete e antes de ler a história “A mamã pôs um ovo”:

Mila – Alguém sabe como é que se fazem os bebés?
Martim – Primeiro apanhamos uma semente e esperamos 9 meses até o bebé nascer.
Afonso – Mila, eu já estive dentro da barriga da minha mãe e já sei como é!
Teresa – Eu sei que não é uma semente que se apanha.
Leonor – Pois não, temos de a comprar.
Inês – Não, a minha mãe não comprou. Ela fez uma coisa para ter o bebé na barriga, mas eu ainda não sei o que foi que ela fez.
Henrique – Eu não sei… A minha mãe não me disse.
José – Eu sei que eles vão nascendo, nascendo, até ficarem grandes.
Afonso – Primeiro o bebé vai crescendo, crescendo dentro da barriga até que fica grande e chega a hora de cortar a barriga para sair o bebé.
José – Não sai não, o bebé sai pelo pipi!
Afonso – Achas que o bebé cabia no pipi?
José – Tu (Afonso) não sabes mais do que a minha mãe!
Afonso – Eles são demasiado grandes para caber no pipi porque o pipi é demasiado pequeno.
Matilde – Mas eu saí do pipi da minha mãe.
João R. – Os bebés saem pelos pés. Os médicos abrem o umbigo, põem lá dentro o ovo, ele cresce e depois nasce o bebé.
Manuel – As mães têm de comer muito para os bebés nascerem.
Leonor – Os bebés têm o umbigo para a mamã dar a comida.
Alexandre – As mães quando não querem mais bebés têm de tomar comprimidos para eles não nascerem.
Madalena – As mães têm de fazer uma ecografia para ver se vamos ter um mano ou uma mana.
José – Eu sei que os pais não escolhem os bebés, é ao calhas!
Afonso – É Zeus quem escolhe os bebés.
Inês – É Zeus do céu.
Afonso – É Ele quem escolhe tudo!
Leonor – Não é Zeus, é Deus!
Afonso – Foi o que eu disse! É Deus quem controla tudo!
Leonor – Os bebés nascem em 9 dias…
Afonso – …60 dias…
Martim – … Não, 9 meses.
Teresa – Pois, porque os bebés precisam de crescer. Eles vão crescendo até ficarem do tamanho certo que é quando a barriga da mãe ficar muito grande, porque a barriga dela também cresce.
João M.ª – Quando a barriga está grande os médicos põem uma coisa às mães para elas não terem dores quando tirarem os bebés, e só depois é que eles abrem a barriga. Eu sei isso porque a minha mãe contou-me.
Matilde – Os bebés nascem muito sujos porque não tomam banho dentro da barriga das mães. Por isso, quando nascem, eles têm logo de tomar banho.
José – Os bebés rodopiam dentro da barriga das mães.
João M.ª – Também dão pontapés porque estão muito apertados e querem que a barriga estique.
Mila – O que é preciso para nascer um bebé?
Afonso – Primeiro compra-se a semente, depois engole-se, espera-se 9 meses, a barriga fica enorme e depois nasce o bebé.
Leonor – É preciso chegar a cegonha.
Mila – Eu posso ter um bebé agora?
Inês – Podes! Mas primeiro tens de fazer aquela coisa que a minha mãe fez…
Manuel – E a minha também!
Afonso – Não podes, porque nós ainda não nos casámos!
Martim – Só podes quando fores mais crescida.
Manuel – E ainda não comeste tudo o que devias comer.
Matilde – Se quiseres muito eu vou comprar-te um à loja. Tu precisas da semente…
Martim – … E de casares com o Afonso.
Teresa – Mila, tens de arranjar outro namorado! Não pode ser o Afonso, tem de ser outro.
Matilde – Mas o Afonso até é giro! Porque é que não pode ser ele?
Teresa – Porque tem de ser um namorado mais crescido.
Matilde – Depois tens de te casar e ficar um bocadinho mais velha. Podes esperar pelo Afonso, mas só podes ter um bebé quando tiveres a idade da minha mãe.
Martim – Não, o Afonso é que tem de crescer porque mais velha a Mila já é!
Afonso – Quando a Mila tiver um bebé na barriga vai ficar muito feliz, porque quer dizer que vai ter um filho.

No dia seguinte…

Afonso – Mila, o meu irmão nunca mais nasce! Eu já pedi mas ele não vem…
Mila – O que é que a mãe tem de fazer para ter o bebé?
Afonso – Tem de comer uma semente, esperar 9 meses, a barriga tem de crescer e quando chegar a hora do bebé nascer ela tem de ir para o hospital para o médico tirar e pôr o cérebro dele a funcionar.
Mila – Mas o teu pai não é médico? Porque é que ele não pode tirar o bebé?
Afonso – Porque ele tem de levá-la para o hospital e por isso tem de ser outro médico. Também era complicado porque ele trabalha muito em três hospitais: na Cruz Vermelha, em Santa Maria e no hospital da minha tia. Sabes, depois a minha mãe vai ter de comprar muitos iogurtes porque os bebés só comem iogurtes e bebem muito leite.
Matilde – Pois… Depois dos bebés nascerem eles saem do hospital e vão para casa para os pais tomarem conta dele. Ele só pode beber o leitinho que sai da maminha.

pedicure

Cortava as unhas ao Pedro e quando passei para a segunda mão disse-me:
Só mais esta e depois acabou!
Ao que respondi que era lógico pois não havia mais dedos das mãos e os dos pés não precisavam. Começou a inventar e a dizer que tinha cento e catorze mil dedos das mãos e cinco mil milhões de dedos dos pés. E acrescentou:
Cinco mil num pé e milhões no outro!

desassossego...

Falávamos aos jantar sobre os novos amigos da escola. Como o Pedro apenas falava dos colegas rapazes perguntei pelas colegas raparigas. Mostrou algum desinteresse num encolher de ombros repetido e disse algo como serem todas mais ou menos iguais, mais ou menos indiferentes. Perguntei pela Matilde de quem falava amiúde no princípio do ano lectivo, a propósito de ela querer muito ser namorada dele e depois por já o ser. Explicou:

Ela já não é minha namorada… disse-me que agora namora com o Alexandre…
*pausa*
É melhor assim… assim já não ando tão tonto… já não ando tão desassossegado… não sei bem explicar!

Pedro, quase 6 anos

gerações

O Pedro interrogava a Avó sobre as coisas que o carro dela faz diferentes do dele - a falta de vidros eléctricos, as portas que rangem...
A Avó explicou-lhe que o carro dela era mais velhinho e que o dele, por ser mais recente, já tinha uma tecnologia mais sofisticada e fazia menos barulhos estranhos.
Já percebi! O teu carro é avô do meu.

geografia

Os crescidos falavam algo sobre o continente americano.
O João, de 4 anos, com expressão de quem profere uma importante opinião sobre o assunto em causa, acrescenta ao tema:
A América do Sul é muito mais longe que o Algarve!

Mãe, tu já pensaste bem que um carro é uma cabine rolante?


Pedro

voo depois da morte


Se as pessoas quando morrem vão para o céu e se os bichos comem o corpo e fica só o esqueleto, como é que se vai para o céu? O esqueleto voa, é?


Pedro, 6 anos menos 3 meses

a idade dos pais

Pai: Sabes quem faz anos no domingo?
Gabriel: É o Gabriel!
Pai: Não…
Gabriel: É o mano André!
Pai: Também não. É o pai. E sabes quanto anos é que o Gabriel faz, quando fizer anos?
Gabriel: Quatro.
Pai: E o mano André?
Gabriel: Um.
Pai: Muito bem! E o pai? Sabes quantos faz?
*pausa*
Gabriel: Cinco?!

Não me aborrentes!

Filipa, 5 anos

lógica da alface


Ao jantar uma conversa sobre indeterminações na matemática. A propósito diz-me o pai que "O infinito não é um número".
O Pedro apoia o pai:
Pois o infinito não é um número... se houvesse infinitas alfaces o que tu tinhas era uma alface, não era um número!

Inês

Inês para mim: Porque é que ele está a chorar?
Eu: Porque é a primeira vez que vem para esta escola e ainda não tem cá amigos… por isso está preocupado.
Inês para mim: Ele acha que não vai fazer amigos?
E para ele: Anda. Olha, logo à tarde podes brincar com o Martim.
Põe-lhe a mão no ombro. Ele deixa de chorar. Entram os dois na sala, ele leva a mochila, ela leva a lancheira dele. Ela diz-me “Já podes ir trabalhar”. E ele diz-me adeus.
A Inês tem no máximo 6 anos. É do tamanho dele e o seu coração é grande e generoso.
...Que bela menina conheci esta manhã.

raios...

Os nossos bonecos lutavam com armas sofisticadas imaginadas por nós.
O meu boneco lançou mortíferos "raios catódicos" (foi o que me veio à cabeça...), aos quais o boneco dele ripostou com "raios disparatódicos"!
(ele achou que eu estava a inventar e que por isso ele inventava ainda uns raios mais giros... e inventou mesmo!)

Pedro, 5 anos

ponto caRdeal

Mostrei-lhe os quatro principais pontos cardeais na rosa-dos ventos.
E este aqui? - Perguntou ele apontando para um dos intermédios - É o suRdoeste?

Pedro, 5 anos

sorte a minha...



O pai do Nuno contava-me como o Nuno (de 6 anos) estava encantado por uma "princesa" de 12 anos que conhecera. Perguntei ao Nuno se ela tinha cabelo comprido e ele respondeu-me que sim. Adiantei logo com um ar muito entendido:


- Se tem cabelo comprido, é porque é mesmo uma princesa...


Responde-me o Nuno com ar surpreendido:


- Mas tu és uma princesa e não tens cabelo comprido...


relativas unidades de medida


Sai da casa-de-banho e diz-me:

- Fiz quilos de xixi!

- Quilos ou litros? - pergunto eu.

- Quilos... porque era tão pesado que quase caí dentro da sanita!



Pedro, 5 anos

os sonhos

Pedro: Os sonhos são desenhos animados.
Eu: Porquê?
Pedro: Porque são fofinhos…
*pausa*
Pedro: Chorar é rir e rir é chorar.
Eu: Nos sonhos?
Pedro: Sim.
*pausa*
Pedro: E os pesadelos, sabes o que são?
Eu: O quê?
Pedro: São sonhos que se portam mal!

bolo de...


Pedro: Hoje a São deixou-me comer 3 fatias de bolo...

Eu: Alguém fez anos?

Pedro: Sim, o Diogo.

Eu: Então o bolo era bom. Era de quê?

Pedro: Era do Noddy.

silêncio que o espectáculo vai começar

Na festa de fim de ano da escolinha, as professoras organizaram um espectáculo de dança com bailarinos experientes. A plateia estava recheada dos meninos do Jardim Infantil e respectivos crescidos. Os bailarinos entraram e colocaram-se em posição. Mas o espectáculo demorava a começar, por falhas técnicas no som… Todos começaram a ficar impacientes, mas ordeiramente o silêncio reinava na sala. Até que um miúdo perguntou (bem) alto:
ENTÃO?

(O que mais distingue os XS de nós, é a capacidade de total franqueza neste tipo de momentos em que tentamos agir de forma socialmente correcta!)

as várias faces


Magoei-me nesta cara.


João, 4 anos

folha caduca


Julho. A brincar no jardim. Cai um a folha da árvore em cima da cabeça do João...

"Está a ficar Inverno..."


João, 4 anos

geomag

Geomag é m brinquedo fantástico para todas as idades, em que, com peças magnéticas, se podem fazer as mais diversas coisas. A maior ou menor criatividade de quem usa as peças, faz toda a diferença. Aqui ficam uma "garras" feitas pelo (e no) Pedro.

o amor aos 5 anos

O Pedro contou-me que ontem, ao chegar à escola, a Margarida o pediu em namoro.
- E tu?
- Eu aceitei! (sorriso-de-orelha-a-orelha)
- E agora? O que fazem juntos?
- Agora damos a mão, quando vamos no comboio*.


* comboio dos meninos, quando vão para algum lado fora da sala

outra versão

"Coro das velhas": refrão por Gabriel (3 anos):
Cá se vai correndo, com a cabeça em três orelhas!